Blog do Buckeridge

O VERDE EM SÃO PAULO III

31 de janeiro de 2014
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A cidade deve revitalizar suas áreas de várzea, como ocorreu em grandes capitais do mundo, ou é algo caro e inviável tecnicamente?

Se já foi feito em outras grandes capitais do mundo (Londres e Paris por exemplo), não há qualquer dúvida de que seja tecnicamente viável. São Paulo tem grande vocação para negócios e as pessoas que vêm para cá recebem uma lavagem cerebral dos próprios paulistanos de que esta é uma cidade feia, cinza, cheia de trânsito, violenta etc etc. Sabemos que é não é inteiramente verdade, mas quando uma ideia é contada repetidamente acaba sendo vista como verdade. Ter uma cidade organizada, arborizada e com projetos impressionantes de integração das áreas de várzea com a população pode atrair ainda mais negócios e fazer com que o turismo de negócios deixe ainda mais dinheiro na nossa cidade. O turista pode decidir trazer a família para visitar a cidade e com isto gastar mais aqui. Os próprios paulistanos ficarão mais na cidade a aproveitarão melhor São Paulo. Se prevê que até 2050, 90% da população da América Latina viverá em ambiente urbano. Por isto temos que fazer com que a cidade seja um lugar agradável de se viver. Elas não podem ser apenas dormitórios e um conjunto de ruas para transitarmos para ir e vir do trabalho. Têm que ser mais do que isto e é nossa responsabilidade fazer com que as mudanças ocorram nas próximas décadas. Do ponto de vista da população, os benefícios da recuperação das várzeas são enormes. Esta cidade é uma rede impressionante de rios e apesar de São Paulo ter sido fundada nesta região por causa dos rios, com o desenvolvimento nós viramos as costas para eles, os cobrimos e os poluímos. Escolhemos um caminho que levou ao realinhamento dos rios para fazer a água fluir mais rápido e evitar epidemias de doenças infecciosas no passado. Mas hoje temos tecnologias que poderiam fazer com que voltássemos em parte ao que tínhamos no passado. Veja uma reportagem da revista FAPESP sobre os rios em São Paulo. Milhões de paulistanos saem nos feriados em busca de proximidade a um ambiente aquático. Temos parte disto aqui mesmo, bem debaixo nos nossos pés. Por quê não usar? Pode ser caro, eu sei, mas por quê não vivermos bem? em um lugar lindo, com lazer pleno e uma população mais feliz? Ainda, será que tudo isto não poderia ser transformado em negócios lucrativos? Em inovação? Essencialmente, São Paulo é uma espécie de grande várzea. Será que São Paulo não poderia recuperar a parte boa da várzea? Será que não poderíamos fazer isto de uma forma original, que mostrasse que é sim possível fazer melhor ainda do que Londres e Paris fizeram?


O VERDE EM SÃO PAULO II

30 de janeiro de 2014
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Devemos enterrar os cabos elétricos e de informação? Isto seria uma necessidade pública?

Sem dúvida é uma necessidade pública. Talvez não seja economicamente viável tirar os fios de toda a cidade, mas podemos ampliar o máximo possível o pouco que já temos. Enterrar os fios tornará não somente mais fácil a manutenção, provavelmente diminuindo a taxa de roubo de cabos e certamente diminuindo os diversos problemas que temos tido com a arborização urbana, que tem que ser literalmente mutilada para dar passagem aos fios. Ao se mutilar uma árvore, se desequilibra muitas vezes a distribuição de pesos na copa e com isto se aumenta probabilidade de queda. Acelera-se o envelhecimento das árvores, gerando custos altos relacionados à substituição de árvores com maior frequência. Além disso, transforma-se algo belo em algo feio, na realidade grotesco! Sem os fios, as copas de árvores crescem de acordo com as suas características genéticas e se tornam copas bem mais estáveis e também exuberantes. Basta olhar ao redor, há vários exemplos na cidade. Um outro ponto que acho fundamental é a poluição visual. Por quê, nós paulistanos precisamos conviver com algo tão feio? Por quê a nossa cidade não pode ser bonita e agradável? Uma paisagem agradável tem enorme vantagens de vários pontos de vista como diminuição de depressão e violência, diminuição da agressividade e também convida o cidadão a usar menos o automóvel para caminhar por seu bairro. Os ciclistas poderiam aproveitar ainda mais as rotas sem o calor escaldante de avenidas sem árvores. Por isto acho que o efeito do embelezamento é, sim, uma necessidade pública. Como política pública, o embelezamento é também uma ação nos setores de saúde, segurança e educação. O poder público deve investir em tudo o que aumente o bem estar da população. É para isto que pagamos impostos.


O VERDE EM SÃO PAULO I

28 de janeiro de 2014
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Podemos viver melhor em São Paulo?

Um estudo recente (Runfola & Hughes, janeiro de 2014 na revista Land) comparando cidades “verdes” e “cinza” entre 373 cidades americanas, concluiu que as cidades que têm maior foco em iniciativas econômicas são mais cinza enquanto as cidades que têm maior foco em iniciativas de justiça social são mais verdes. Estas últimas, no entanto, são mais raras, perfazendo somente 11% das cidades analisadas pelos autores.  São Paulo tem agido historicamente como uma cidade cinza, mas é possível mudar. Basta a população exigir um redirecionamento das políticas públicas.

Por conta do aniversário de 460 anos da cidade de São Paulo recebi algumas perguntas do repórter Eduardo Geraque, da Folha de São Paulo, questionando alguns pontos chave sobre a situação ambiental da cidade de São Paulo. Numa sequência de três posts publicarei as respostas que dei a ele.

Parques e praças públicas: o setor privado deve interferir?

O setor privado deve sim participar e a ideia de concessões pode ser um caminho. Isto porque o poder público tem grande dificuldade de dar conta de tudo o que precisa ser feito em uma cidade tão grande como São Paulo. O poder público poderia se restringir a fazer a coordenação de todo o processo, sempre ouvindo e mantendo transparência total para os habitantes de cada região. A cidade de São Paulo é um mosaico de situações com características muito diversas e por isto precisa de estudos específicos para cada caso. São Paulo se apresenta como uma grande oportunidade de desenvolver novas ideias e empresas podem ser instaladas e/ou criadas aqui, dando empregos e gerando inovação no setor urbano paulistano. Como São Paulo é uma metrópole única, projetos de sucesso daqui poderiam até se tornar produtos a serem aplicados em outras cidades do mundo. Não creio que seja possível abordar toda a cidade de uma única forma, com um único método. Como cada região tem suas peculiaridades, seria muito mais produtivo darmos concessões a empresas que se dediquem a resolver os problemas de forma diferente, conforme a situação. Um problema, porém, é saber se temos ou não empresas preparadas para assumir isto. Assim, primeiramente teríamos que fazer um bom levantamento. Algumas experiências tiveram grande sucesso na cidade de São Paulo, como a intervenção que foi feita na Av. Braz Leme há alguns anos pela empresa TOTUS. Parte da avenida foi adotada pela empresa e passou de um simples canteiro no meio da rua a um dos lugares mais agradáveis da cidade para caminhar, se exercitar e admirar um jardim bem planejado e bem cuidado. Há vários outros exemplos na cidade que podem ser usados como exemplos para regiões similares. O poder público poderia fazer é um estudo bem completo sobre como grandes cidades em países desenvolvidos lidaram e lidam com o verde urbano (o verde nos parques, praças, ruas etc). Washington, nos EUA, Paris na Europa e Tóquio e Pequim na Ásia são boas opções. Podemos formar parcerias com cidades como estas para ajustar melhor a nossa situação aqui. Empresas estrangeiras poderiam também se interessar pelas concessões e com isto poderíamos aprender muito e adaptar boas experiências do mundo à nossa realidade. Se o poder público quiser levar a frente a questão do verde-urbano, isto deveria ser feito através de algo como um Centro de Estudos, que possa analisar o problema cientificamente e trabalhar em conjunto com empresas, população e cidades parceiras, para aplicar as melhores ideias. São Paulo é a maior metrópole do planeta em região tropical. Não deveríamos ter as soluções mais espetaculares já vistas? Temos que ser ambiciosos e investir. O meu sonho é que os turistas um dia viessem à São Paulo só para ver os projetos mais criativos e interessantes de integração do verde à população já feitos por uma grande metrópole.