Blog do Buckeridge

SÓ COM INVESTIMENTOS EM CIÊNCIA E TECNOLOGIA SAIREMOS FORTALECIDOS DESSA CRISE | 29 de janeiro de 2009

Abaixo segue uma carta elaborada por vários coordenadores de Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia, sobre os cortes sugeridos para a ciência no orçamento Brasileiro. Depois do texto há uma lisa dos autores.

A possibilidade de corte de recursos do Ministério de Ciência e Tecnologia, se consumado, irá interromper o ciclo virtuoso de progresso científico, iniciado há mais de duas décadas. Um sólido desenvolvimento científico e tecnológico é, nos dias de hoje, o caminho mais consistente para a riqueza e a soberania das nações. Os países que apresentaram maior desenvolvimento social e econômico no período que se seguiu à Segunda Grande Guerra foram aqueles que, independentemente do seu modelo político, implementaram uma política consistente e de longo prazo para o aprimoramento de suas pesquisas. O Brasil nas últimas três décadas vem exercendo uma política consistente na área de Ciência, cujo resultado é hoje medido pelos índices expressivos de sua produtividade científica. Mais importante, o aumento da qualificação do parque brasileiro de pesquisa e a inovação tecnológica dela decorrente vêm gerando riquezas ao país. Temas estratégicos para o desenvolvimento nacional, tais como o aumento da produtividade agrícola, a descoberta de novos campos de petróleo e gás, o desenvolvimento de fontes alternativas de energia, o aprimoramento da tecnologia aeronáutica, as estratégias inteligentes de conservação ambiental, as pesquisas em genética e os novos procedimentos de tratamento de moléstias de nosso povo (incluindo a utilização de células-tronco, a produção de novos medicamentos e a instrumentação médica) possuem, todos eles, a “impressão digital” dos pesquisadores brasileiros. Nesse cenário, vemos com grande preocupação a possibilidade de corte de recursos do Ministério de Ciência e Tecnologia, que, se consumado, irá interromper o ciclo virtuoso de progresso científico, iniciado há mais de duas décadas. Um retrocesso nesse momento resultará em conseqüências negativas em médio e longo prazo. Oportunidades de pesquisa serão perdidas, pesquisadores jovens e experientes migrarão para países que lhes ofereçam melhores oportunidades, e um grande número de estudantes perderá a oportunidade de ingressar em atividades de pesquisa. O atual governo dos Estados Unidos da América do Norte isentou de cortes a área de Ciência e Tecnologia, mesmo estando no centro da grave crise econômica. Com isso, os EUA elegem o desenvolvimento da Ciência e da Tecnologia como um instrumento poderoso para vencer as vicissitudes da atual conjuntura e promover o bem estar social. Temos convicção de que o Congresso Nacional, fórum maior das decisões dos destinos da Nação, será sensível a esta questão e assegurará as condições para o contínuo progresso científico e tecnológico de nosso País, recompondo as previsões orçamentárias para o ano de 2009, que foram elaboradas com sobriedade e alinhadas com as metas do Plano de Ação de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Nacional. Somente com investimentos em ciência e tecnologia sairemos fortalecidos dessa crise.

Prof. Dr. Colombo Celso Gaeta Tassinari Coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Técnicas Analíticas para Exploração de Petróleo e Gás

Prof. Dr. Euripedes Constantino Miguel Coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Psiquiatria do Desenvolvimento para crianças e adolescentes

Prof. Dr. Glaucius Oliva Coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Biotecnologia Estrutural e Química Medicinal em Doenças Infecciosas

Prof. Dr. João Evangelista Steiner Coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Astrofísica

Prof. Dr. Jorge Elias Kalil Filho Coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Investigação em Imunologia

Prof. Dr. José Antonio Frizzone Coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Pesquisa e Inovação em Engenharia da Irrigação

Prof. Dr. José Carlos Maldonado Coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Sistemas Embarcados Críticos

Prof. Dr. José Roberto Postali Parra Coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Semioquímicos na Agricultura

Prof. Dr. Marcos Silveira Buckeridge Coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol

Profa. Dra. Mayana Zatz Coordenadora do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Células-Tronco em Doenças Genéticas Humanas

Profa. Dra. Nadya Araújo Guimarães Coordenadora do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Estudos da Metrópole

Profa. Dra. Ohara Augusto Coordenadora do Instituto Nacional de Ciência Tecnologia de Processos Redox em Biomedicina-Redoxoma

Prof. Dr. Paulo Hilário Nascimento Saldiva Coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Análise Integrada do Risco Ambiental

Prof. Dr. Roberto Mendonça Faria Coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Eletrônica Orgânica

Prof. Dr. Roberto Passetto Falcão Coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Células-Tronco e Terapia Celular

Prof. Dr. Sérgio França Adorno de Abreu Coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Violência, Democracia e Segurança Cidadã

Prof. Dr. Vanderlei Salvador Bagnato Coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Óptica e Fotônica


2 Comentários »

  1. Eu estava lendo outro dia um texto sobre o informe do Banco Mundial sobre o desenvolvimento mundial. O tal informe traz uma visão distorcida do papel da educação no desenvolvimento do terceiro mundo. Para eles, o conhecimento é a chave da libertação da miséria, mas eles apregoam um conhecimento sem crítica que seja produzido no primeiro e “consumido” pelos países pobres. Eles pregam que isso facilita o trabalho, pois “… los países en desarrollo no tienen que reinventar la rueda ni las computadoras, ni redescubrir el tratamiento del paludismo…” e assim, basta que aprendam a aplicar o conhecimento produzido, etc.
    O argumento dos autores é que a formação para o trabalho (alienado) é mais rápida. Embora possam não estar conscientes (duvido), os autores defendem a tese de um mundo hieraquizado, de preferência estático, em que a solução da miséria deve ser obtida sob o controle dos ricos, os detentores do know-how. Neste sentido, me parece que pregam, sutilmente, que o fim da miséria deve ser lucrativo para os ricos.
    É até compreensível que, de modo intencional ou não, haja uma visão no primeiro mundo de que a Europa e os Estados Unidos são produtores de conhecimento e os demais países são meros consumidores (nós também tendemos a pensar assim quanto aos países mais pobres que nós), mas é inadmissível que nós mesmos perpetuemos essa postura cabisbaixa.

    Quando o elefante, ainda pequeno, é amarrado numa árvore, após inúteis tentativas de se libertar, ele se resigna. Quando cresce, tem tanta certeza de que não vai se soltar que pode ser amarrado em um pequeno pino fincado no chão. Ele foi finalmente subjugado…

    Comentário por Wanderley Dantas dos Santos — 4 de fevereiro de 2009 @ 23:58

  2. Também concordo com Wanderley: Foi com nossos próprios esforços, com muito suor e cérebro, que tornamos possível o Programa Nuclear Brasileiro o que possibilita ao país enriquecer Urânio em escala industrial, de maneira mais barata, e deixar de exportá-lo e, veja, o Brasil é a sexta reserva mundial de Urânio do planeta e a planta em Resende, RJ, está associada à geração de energia elétrica e à construção do návio nuclear (setores estratégicos). Também o foi assim com a prospecção de petróleo via PETROBRÁS, possibilitando autosuficiência para o país, e a larga produção de grãos com a EMBRAPA. Com estes somos independentes e podemos exportar tecnologia cem porcento brasileira! Onde estaríamos com a lógica do Banco Mundial?!!

    Comentário por Edson G.R. Fernandes — 17 de abril de 2009 @ 11:02


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